Café Com Leiura:Amor é Prosa,Sexo é Poesia

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Sempre é tempo de ler,de conhecer e se inspirar…sempre é tempo de falar de amor ainda que descartável nos dias de hoje.

A alguns anos li simultaneamente os livros “Pornopolítica” e ” Amor é Prossa,Sexo é Poesia”,gosto daqueles textos que surpreende e nos trazem para o dia dia.

Amor é Prosa,Sexo é Poesia:

Em 36 textos, Jabor anuncia sem pudores sua fome de beleza em tudo: na vida, na política, no amor, no sexo. Confessa ternuras e invejas. E será assim, exaltado, rodriguiano, que vai admitir um dos maiores medos: “os abismos das mulheres são venenosos, o seu mistério nos mata.”

O amor depende de nosso desejo, o sexo é tomado por ele. O perigo do amor é virar amizade; o perigo do sexo é que você pode se apaixonar. A percepção de Jabor sobre linhas intangíveis, como a que separa o amor do sexo, costuma ser tão afiada quanto seus discursos anti-Bush.

Com ou sem Osama bin Laden, chega a hora em que o herói se deprime e percebe que também precisa de um ritual de encontro. Afinal o amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver. É para este homem, e principalmente para esta mulher, que Jabor escreve suas crônicas amorosas.

“O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão a posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde…

Pornopolítica

“Uma vez, há mais de trinta anos, fui largado por uma mulher, assim… de repente. Ela entrou em casa de madrugada e declarou: “Vou embora com fulano amanhã de manhã.” E desmaiou num sono profundo e desesperado. E eu fiquei sentado, ouvindo o pêndulo do relógio até o dia clarear na janela, como uma ferida se abrindo. Nada pior que sofrer de manhã. É mais terrível a solidão com o sol na cara, na rua, as pessoas trabalhando, rindo, e você como um zumbi na cidade irreconhecível. Copacabana virou um pesadelo nos dias seguintes. Eu andava como o chamado “farrapo humano” pelo Posto Seis. Tinha vontade de cortar a cabeça para parar de pensar nela. Tudo era ela. Uma noite (de noite, a solidão dói menos…), entrei bêbado num botequim ali do Posto Seis, perto da Galeria Alaska. O corno bêbado tem dois estados básicos: ou está caído no meiofio chorando lágrimas de esguicho ou tem desajeitados arrancos de ousadia, com esperança de parar de sofrer. Entrei no boteco a fi m de aprontar alguma coisa, um ato, um fato que me fizesse entrar de volta na vida normal…”

Eu olhava tudo, tonto, e caí na cama. Áurea ajeitou mais coisas, se deitou a meu lado e me botou entre seus seios de mucama, ama-de-leite, passando a mão em meus cabelos e repetindo que “mulher não vale uma lágrima”. E foi assim que ela me fez amor, a mim, passivo e soluçante. Depois, Áurea se levantou e foi embora. Não aceitou o dinheiro que eu tentei lhe dar

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